Por:
Rosmari A. M. Lazarini |
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Araucaria
angustifolia (Bert.) Kuntze é uma árvore
originária do Brasil.
O
segundo nome da espécie, "angustifolia",
do latim, lembra angústia ou dor, pelas suas
folhas pontiagudas, que machucam como uma agulha.
O
pinheiro-do-Paraná pertence à família
botânica Araucariaceae. Esta espécie
também é conhecida como paraná-pine,
curi, curiúva, pinheiro, pinho, cori, pinheiro-brasileiro,
pinheiro-são-josé, pinheiro-macaco,
pinheiro-caiová, pinheiro-das-missões.
Esta espécie
de porte arbóreo possui uma ampla área
de distribuição, ocorrendo na região
Sul e Sudeste do Brasil, principalmente nos Estados
do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná.
Mesmo sendo uma espécie exclusiva da Floresta
Ombrófila Mista, o pinheiro-do-paraná
ocorre em áreas de tensão ecológica
com a Floresta Estacional Semidecidual e Floresta
Ombrófila Densa, bem como em refúgios
na Serra do Mar e Serra da Mantiqueira.
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O
pinheiro-do-Paraná
possui algumas variedades, a saber: Araucaria angustifolia:
elegans, sancti, josephi, angustifolia, caiova, indehiscens,
nigra, striata, semi-alba e Alba.
A Araucária, símbolo do Paraná, aparece
representada na bandeira do Estado e nos brasões
de aproximadamente oitenta municípios paranaenses,
além de designar estádios, clubes, estabelecimentos
comerciais,
indústrias, aparecendo nas calçadas das praças
e ruas de Curitiba. A capital do Paraná deve seu
nome, Curitiba, à Araucária (na língua
Tupi, curi significa Pinheiro e tyba significa
aglomeração).
No Estado do Paraná, 8 milhões de hectares
eram cobertos por Florestas com Araucárias. Hoje,
restam cerca de 60 mil hectares (0,8 % do total da ocorrência
natural), em acelerado grau de devastação,
ocasionados pela agricultura, agropecuária, reflorestamentos
com espécies exóticas, cidades, represas e
manejo inadequado.
Por
ocupar extensas áreas, a sua exploração
indiscriminada durante centenas de anos, quase levou esta
espécie à extinção, colocando-a
na lista oficial das espécies da flora brasileira
ameaçadas de extinção (Brasil, 1992).
Atualmente é protegida por lei, sendo plantada
comercialmente para obtenção de pasta de
celulose, madeira e sementes.
O pinheiro-do-Paraná apresenta madeira moderadamente
densa, de coloração branco-amarelada, sendo
o alburno pouco diferenciado do cerne. É indicada
para caixotaria, movelaria, laminados, tábuas para
forro, ripas, caibros, lápis, carpintaria, palitos
de fósforos, formas para concreto, marcenaria,
compensados, pranchas, postes e mastros de navios.
A
araucária possui tronco ereto, uniforme e cilíndrico.
Quando jovens apresentam a copa em forma de cone e quando
adultas, possuem copa característica em forma de
taça, podendo atingir de 30 a 50 metros de altura.
O
pinheiro-do-Paraná possui árvores masculinas
e femininas separadas, sendo, portanto, uma planta dióica
(do grego: di, dois ou duas e oikos,
casa), podendo ser monóica quando submetida a traumas
ou doenças.
As flores femininas (estróbilos) são conhecidas,
popularmente, como pinha. As flores masculinas (mingote)
são cilíndricas, alongadas com escamas coriáceas,
tendo comprimento variando entre 10 e 22 cm e diâmetro
entre 2 e 5 cm. O pólen produzido por ela é
disseminado pelo vento para fecundar as árvores
femininas (anemocoria).
Em plantios, a produção de sementes (pinhões)
se inicia entre 10 e 15 anos; enquanto que nas populações
naturais, essa fase se inicia a partir do vigésimo
ano. Iniciado a produção de sementes, a
árvore produz em média 40 pinhas por ano
ao longo de toda sua vida (mais de 200 anos). Os pseudofrutos
ficam agrupados na pinha que, quando madura, chega a pesar
até 5kg. Cada quilograma contém cerca de
150 sementes, que perdem a viabilidade gradualmente em
120 dias.
Suas
sementes, conhecidas como pinhões, crescidas e
maduras servem de alimento para o homem, sendo, também,
muito apreciados pelos animais da floresta. O popular
"pinhão" das festas juninas era uma das
bases da alimentação dos indígenas
do sul.
A
fauna das florestas de pinhais desempenha importante papel
na manutenção da dinâmica natural
desse bioma e constitui importante elemento para a dispersão
das sementes das araucárias. Destacam-se roedores
como cotias, pacas, camundongos e aves como papagaio-de-peito-roxo,
tucanos e a gralha azul.
A
gralha azul é um pássaro típico das
florestas de pinhais. Devido seu hábito de enterrar
os pinhões, contribui na disseminação
da araucária, escondendo-os, para consumi-los depois.
Os pinhões esquecidos germinam e vão produzir
as novas árvores.
Bibliografia Consultada
ASSIS,
Célia. Matas de Araucária. Coleção
Nossas Plantas. São Paulo: FTD, 1994.
CARVALHO, P. E. R. Espécies florestais brasileiras:
recomendações silviculturais, potencialidades
e uso da madeira / Paulo Ernani Ramalho Carvalho;
Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária; Centro
Nacional de Pesquisa de Florestas – Colombo: EMBRAPA –
CNPF; Brasília: EMBRAPA – SPI, 1994. 640p. : il.color
(35p. com 140 fot.), 4 mapas.
KOCH,
Zig. & CORRÊA Maria Celeste. Araucária:
a Floreta do Brasil Meridional. Curitiba: Olhar Brasileiro,
2002.
LORENZI,
Harri. Árvores brasileiras: manual de identificação
e cultivo de plantas arbóreas nativas do Brasil.
Nova Odessa, SP : Editora Plantarum, v.01, 1992.
RIZZINI,
Carlos Toledo. Árvores e Madeiras Úteis
do Brasil. Manual de Dendrologia Brasileira. São
Paulo: Editora Edgard Gomide Blucher. 1971.
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Bióloga
e editora do site: www.floraefauna.com |
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